Google+
A Sobrecarga dupla
A Sobrecarga invertida
O "C" deslocado
A sobretaxa sem o «C»
Na primeira impressão da sobrecarga bastaria haver uma folha invertida no meio das outras, é perfeitamente normal que tal tenha acontecido. Esta folha depois de ter sido detetada pelo diretor, este terá ordenado que a mesma fosse retirada do conjunto que iria para uma segunda impressão. Como não foi destruída imediatamente, acabou por ser uma das muitas folhas subtraída ao espólio da IN.
Bibliografia:
![]() |
«2» mais fino |
As sobrecargas locais de 1919 e 1920 já
foram alvo de vários estudos ao longo dos tempos, desde o relato da época
do filatelista Sr. Alberto Correia, Carlos Trincão e até ao recente artigo na revista do
CFP nº417-História Postal de
Angola (16) * Angola - Sobrecargas locais de 1919 e 1920 por Elder Correia.
Este último estudo está disponível para consulta no site do CFP
para utilizadores registados. O presente apontamento é apenas sobre
um dos vários selos sobrecarregados, trata-se do selo de D. Manuel II de
75 r (Afinsa n.º190) que foi sobrecarregado com 1/2 C, taxa que servia "para franquiar
os impressos e amostras até 50 grs remetidos para
Portugal, Ilhas e outras Províncias, assim como os circulados dentro de
Angola e ainda para jornais, impressos e amostras com peso até 50 grs
remetidos para Espanha."(1)
Na figura abaixo, temos um subescrito que circulou de Loanda para a Alemanha, foi utilizado um selo de 1/2 ctv de D. Manuel II para pagar o porte de 6 ctvs. De acordo com a tabela constante no artigo do boletim do CFP, o porte correto deveria ter sido de 7 1/2 ctvs pelo que porte pago foi insuficiente de acordo com a tabela de 1.07.1919.
Na figura abaixo, temos um subescrito que circulou de Loanda para a Alemanha, foi utilizado um selo de 1/2 ctv de D. Manuel II para pagar o porte de 6 ctvs. De acordo com a tabela constante no artigo do boletim do CFP, o porte correto deveria ter sido de 7 1/2 ctvs pelo que porte pago foi insuficiente de acordo com a tabela de 1.07.1919.
Foram produzidos vários erros na produção destas sobrecargas, destes destacam-se os referenciados no catálogo especializado de Selos Postais das Colónias Portuguesas de 2011, editado pela Afinsa Portugal:
-«2» mais fino (figura 1);
-«C» deslocado (figura 2);
-traço da fração curto (figura 5);
-sobretaxa dupla (figura 3);
-«C» deslocado (figura 2);
-traço da fração curto (figura 5);
-sobretaxa dupla (figura 3);
Existe, ainda, a sobretaxa invertida, por agora clandestina. As deslocações da sobretaxa também são frequentes não merecendo, desta forma, especial atenção.
![]() |
figura1-2 esguio |
![]() |
figura2-«C» deslocado |
![]() |
figura 3-Sob. invertida, dupla e traço de fração curto. |
![]() |
figura 4-Traço da fração curto |
![]() |
figura 5-Traço da fração curto |
Sobre o número de erros existentes em cada folha, pode ler-se no catálogo do Simões Ferreira:
" Em cada folha da sobretaxa de 1/2 C. há dois selos, os n.ºs
1 e 4, em que o algarismo «2» é mais esguio. Em cada folha ... há um
selo (o n.º 6) que tem o «C» da sobrecarga mais ou menos deslocado..." (figura 6).
Tendo
em conta a cotação das variedades catalogadas parece-me que deverá
existir apenas um exemplar do "traço da fração curto" por folha!
A
este respeito não existe qualquer informação no catálogo do S. Ferreira,
apenas refere a existência de alguns exemplares por folha no outro
valor 2 1/2 C s/ 100r:
"...Nas folhas da sobretaxa de 2 1/2 C. há vários selos com o traço do quebrado mais pequeno."
Do estudo de uma folha completa observa-se que existe apenas um selo com traço da fração curto na posição L4:C2.
No 60º Leilão do P. Dias o lote 1386 é uma destas folhas completas e tem a seguinte Descrição:
"1919, D. Manuel II (c/ Sbc. República CM e Sbt. Local)- Folha completa
de 28 selos do ½ ctv s/ 75 rs bistre, CE 190 (#28), 14.º selo com "/"
Traço de Fracção Curto, 1.º e 4.º selos com "2" de Tipo diferente, e 6.º
selo com "C" Deslocado (VC €124,6+++). Goma espelhada como por vezes
aparece. B", o que confirma a existência de apenas um exemplar com traço de fração curto por folha.
Temos assim em cada folha:
- 2 selos com "2 mais fino" (distintos) posições L1: C1 e L1: C4 (1º e 4º selo);
- 1 selo com "C deslocado" na posição L 2: C2 (6º selo da folha);
- 1 selo com traço fração curto na posição L 4: C2 (14º selo da folha).
- 2 selos com "2 mais fino" (distintos) posições L1: C1 e L1: C4 (1º e 4º selo);
- 1 selo com "C deslocado" na posição L 2: C2 (6º selo da folha);
- 1 selo com traço fração curto na posição L 4: C2 (14º selo da folha).
A Sobrecarga dupla
![]() |
Sobrecarga dupla usual |
![]() |
Sobrecarga dupla |
A Sobrecarga invertida
Se foi utilizada a chapa original na impressão da sobrecarga invertida, será de esperar que os erros conhecidos («2» mais fino; «C» deslocado; traço da fração curto) na sobrecarga normal também possam aparecer invertidos. Já fiz esta afirmação no fórum Selos Postais e ninguém refutou esta minha afirmação.
Durante os dois últimos anos tenho visto em leilões alguns destes erros, mas os que aparecem não apresentam nenhum dos erros invertidos.
As imagens seguintes são as possíveis sobrecargas invertidas, do "2" mais fino e do "C" deslocado:
O "C" deslocado
![]() |
figura2-«C» deslocado |
De acordo com (1) os selos de D. Manuel II foram os primeiros a serem sobrecarregados e nas primeiras folhas sobrecarregadas foi encontrada a falta do "C" no 2º selo da 2ª linha. Detetado o erro, o então diretor da Imprensa Nacional mandou que todas as folhas já impressas voltassem ao prelo para a impressão do "C" em falta.
Esta segunda impressão originou diferentes deslocações do "C" na folha. A distância do "C" nos restantes selos é de 17 mm e no 6º selo da folha (L2: C2) é de 22 mm.
Como consta no artigo do Dr. Elder Correia, este erro possibilitou o aparecimento de alguns erros e o furto de algumas dessas folhas da IN.
A sobretaxa sem o «C»
Apresento, agora, um novo erro com a sobrecarga invertida, mas sem o «C» de centavo, será que faz parte das primeiras folhas impressas referidas segundo relato da época do filatelista Sr. Alberto Correia?
![]() |
fig. 7-Sobrecarga invertida sem «C» e "2" normal. |
A ser verdade esta hipótese teríamos quase a confirmação da variedade da sobrecarga invertida como verdadeira e não clandestina!
Na sobrecarga normal a distância da base do «2» à barra superior é de 15,5 mm, no selo da figura 7 a distância é precisamente igual. Medi, também a altura dos números, traço da fração, distância entre as duas barras e a largura das duas barras, os resultados são idênticos. Então a sobrecarga usada no selo da figura 7 foi a original.
Aguardamos o aparecimento de outros exemplares, ou qualquer tipo de suporte postal com um ou mais exemplares com este erro de forma a validar esta hipótese.
Na sobrecarga normal a distância da base do «2» à barra superior é de 15,5 mm, no selo da figura 7 a distância é precisamente igual. Medi, também a altura dos números, traço da fração, distância entre as duas barras e a largura das duas barras, os resultados são idênticos. Então a sobrecarga usada no selo da figura 7 foi a original.
Aguardamos o aparecimento de outros exemplares, ou qualquer tipo de suporte postal com um ou mais exemplares com este erro de forma a validar esta hipótese.
Deslocação vertical do «C»
Finalmente, mostro o que penso ser uma tentativa de acertar na posição do «C» de centavo na segunda impressão, nota-se uma grande deslocação na vertical. Designemos esta deslocação de «C» subido e de «C» deslocado ao erro catalogado. Será de esperar que apareça o «C» descaído como uma das muitas tentativas da impressão do «C» em falta numa segunda impressão. As medidas da sobrecarga também são as mesmas da original.
fig.8- «C» subido |
Conclusão:
Depois de muitos estudos, entre os quais o artigo publicado no boletim do CFP, verifica-se que ainda existem factos por apurar e catalogar. Os dois erros não catalogados (figuras 7 e 8), são bem o exemplo do que esporadicamente pode aparecer neste grande mundo da filatelia.
Sou da opinião que o erro da figura 7 poderá aparecer na posição normal e que o erro da figura 8 poderá aparecer descaído.
_____________________________________________________Bibliografia:
(1)Correia, Elder, História Postal de
Angola (16) * Angola - Sobrecargas locais de 1919 e 1920, boletim do CFP nº417.
(2) Magalhães, Alexandre Guedes (1986). Marcas Postais de Angola, Lisboa. Revista «FN-Filatelia-Numismática».
Comentários
Enviar um comentário