No 10º grupo de carimbos do livro "Marcas Postais de Angola" (1) do Coronel Guedes de Magalhães (G.M.), é utilizado o esqueleto A8 hexagonal pela primeira vez.
A data é constituída pelos três habituais elementos representados em algarismos árabes, separados por traços e termina com a indicação da hora, representada por um ou dois algarismos.
O autor da obra refere que "ao fim de uns tempos, os funcionários dos C.T.T.A. acabaram por não ligarem à importância da hora, passando os seus algarismos a indicar o ano, assim por exemplo a data 14-5-19=24 passou a representar o ano de 1924 e não o ano de 1919 às 24h como é evidente."
Foram catalogados os seguintes carimbos, impressos a preto:
1. BENGUELLA
2. CABINDA
3. LOANDA
4. LOANDA
5. LUBANGO
6. MALANGE
7. MOSSAMEDES
Aparecem dois carimbos para Loanda, estando a grande diferença entre os dois no grupo datador em que o ano passou a ser representado pelos 4 algarismos e na designação da localidade que deixou de ter o «L» e o «C» de «CENTRAL» maior(capitulado) do que as restantes letras. Esta segunda marca teve um grande período de utilização, até 1947 ( selos do Império Colonial).
LOANDA (LND-I e LND-II)
Para além das diferenças já mencionadas, existem outras diferenças entre as duas marcas, nomeadamente nas dimensões do retângulo do grupo datador, tamanho das letras e na medida do lado do hexágono, que, parece-me, que no caso da segunda marca é de dimensões inferiores.
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Loanda 1- LND-I |
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Loanda 2-LND-II |
Estas marcas como não fazem parte das "chamadas importantes" não têm tido o devido estudo pelos colecionadores, entre os quais me incluo. Quis o acaso que neste dia, de preparativos para a consoada do Natal de 2013 tivesse olhado com atenção para o sobrescrito da figura 13. Então, comecei a investigar as marcas deste grupo que já tenho na minha colecção de marcofilia e algumas peças de história postal.
Neste momento, acho que posso avançar que quase todas as localidades catalogadas têm uma segunda marca. Para facilitar o estudo vou chamar tipo I às marcas que têm na data a indicação horária (localidade em letras mais altas), e tipo II às que têm o ano representado pelos quatro algarismos.
Os carimbos do tipo I são mais raros do que os do tipo II.
LUBANGO (LBGI e LBGII)
Nas imagens seguintes (fig.2, 3 e 4) vê-se a marca do LBG I, LBG II e na carta a marca LBG II.
G.M. tem a data de 18 Fev. 1914 para o início da utilização desta marca, na fig.2 verifica-se que a marca do Lubango foi utilizada a 16-12-1913. Acho que esta será a data, conhecida, mais antiga para a marca do Lubango.
As marcas do tipo II começaram a ser utilizadas por volta de 1921/22 e com um longo período de utilização.
Os carimbos do tipo I são mais raros do que os do tipo II.
LUBANGO (LBGI e LBGII)
Nas imagens seguintes (fig.2, 3 e 4) vê-se a marca do LBG I, LBG II e na carta a marca LBG II.
G.M. tem a data de 18 Fev. 1914 para o início da utilização desta marca, na fig.2 verifica-se que a marca do Lubango foi utilizada a 16-12-1913. Acho que esta será a data, conhecida, mais antiga para a marca do Lubango.
As marcas do tipo II começaram a ser utilizadas por volta de 1921/22 e com um longo período de utilização.
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Fig.2-Lubango tipo I |
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Fig.3-Lubango tipo II |
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Fig.4-Sobrescrito do Lubango (19-3-1945) para Washington (Presidente Franklin Roosevelt- Casa Branca) |
MALANGE (MLGI e MLGII)
Na imagem seguinte temos a marca MLGI aplicada em 1914, este carimbo tem um esqueleto de linhas retas com o grupo datador a exibir a indicação horária.
Fig.5-Sobrescrito de Malange (2-7-14) para o Funchal,com carimbo de chegada de 9-08-14, com o porte de 5 ctvs. |
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Fig.5a-Malange tipo I, ebay 2014 |
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Fig. 6- Malange tipo II |
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Fig.7-Malange tipo II |
MOSSAMEDES (MSDI)
Esta foi a única marca que não consegui encontrar, por enquanto, a marca do tipo II. Assim que a encontre, caso exista, colocarei a respectiva imagem online.
A data do carimbo mostrado na fig.-9 (8-10-13) é a mais antiga que conheço para este grupo de marcas. Mais uma vez verificámos que a data apontada por G. Magalhães (Fev. 1914) estava errada.
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Fig. 8- Mossamedes 1 |
CABINDA (CBDI e CBDII)
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Fig. 10- Cabinda II |
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Fig. 9-Cabinda I |
BENGUELLA (BGLI, BGLII e BGLIII)
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Fig. 11-Benguella 1 |
No caso de Benguella, para além das duas marcas já referidas existe, ainda, uma terceira marca (BGL-III) pouco comum, do mesmo género mas com arabescos ao estilo da marca hexagonal de Moçambique. Esta marca aparece com datas compreendidas entre março e julho de 1914, terá sido provavelmente a primeira marca de Benguella, tendo sido mais tarde substituída pela marca do tipo I. Das três marcas esta é a única em que o nome da localidade é BENGUELA, nas outras duas marcas é BENGUELLA.
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Fig.12- Benguella III-tipo IV |
LOANDA- LND-III
Na imagem do sobrescrito da figura 13 repare-se que a mesma foi obliterada com a marca de Loanda (30-3-20=8) com o grupo datador dentro de um rectângulo de cantos rectilíneos, mas a marca aparece catalogada com o rectângulo de cantos arredondados. Os poucos exemplares que encontrei com esta marca têm datas compreendidas entre 1919 e 1920.
Fig. Marca LND III |
Parece-me que é o carimbo (LND-I) com o rectângulo e o grupo datador substituído. Os algarismos deste carimbo são diferentes e mais pequenos.
No artigo "História Postal de Angola (16) * Angola - Sobrecargas locais de 1919 e 1920, por Elder Manuel Pinto Correia" existe na "Fig. 2 – Postal ilustrado circulado de Luanda (10.01.19) para os EUA, com o porte de 3 ctvs (porte para postais ilustrados simples com destino ao estrangeiros de acordo com a tabela de 01.10.1917)" a mesma marca e utilizada no ano de 1919.
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Fig. 14-detalhe do sobrescrito |
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Fig. 15- Loanda tipo III |
No quadro seguinte está um pequeno resumo dos vários tipos e características associadas às marcas do 10º grupo:
CIDADE ALTA E ESTAÇÃO NOQUI -Tipo V
No chamado grupo de Miscelânia (1918-1939), G. M. agrupa nesta categoria todos os modelos de carimbo com apenas um representante, na alínea c) aparecem dois carimbos não identificados por ele, mas que agora sabemos tratarem-se dos carimbos da Cidade Alta (o normal e o de registos). Têm esqueleto A8, o grupo datador ocupa o centro de simetria e a denominação está na parte de baixo.
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fig.16-Cidade Alta (tipo V) |
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Marca de registo |
Do mesmo tipo e também não catalogado aparece a marca da Estação Noqui:
SILVA PORTO (BIÉ)-Tipo VI
Finalmente, na mesma miscelânia na alínea d), aparece mais um exemplar com esqueleto A8 com legenda super-abundante SILVA PORTO (BIÉ):
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Silva Porto (BIÉ) -tipo VI |
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Fig. 19-fragmento com selos obliterados com a marca de Silva Porto |
Conclusão:
O 10º grupo passa a ter, pelo menos, 13 marcas distintas, isto é às 7 marcas catalogadas juntámos 6 novas marcas não catalogadas. Este número poderá aumentar para 14 assim que seja encontrada a segunda marca de Mossamedes (MSDII).
O quadro seguinte mostra as marcas do 10º grupo catalogadas e não catalogadas, bem como as marcas do tipo V e VI.
Em termos de raridade temos a seguinte classificação(tipos I a IV):
-as marcas do tipo II são as mais comuns;
-de seguida as do tipo I;
-considero que as mais raras são as dos tipos III e IV.
Para as marcas dos tipos V e VI, bastará dizer que a marca do tipo VI é bastante comum, enquanto a do tipo V é rara.
Fig.20-Quadro resumo das marcas hexagonais do 10º grupo |
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Bibliografia:
(1) Magalhães, Alexandre Guedes (1986). Marcas Postais de Angola, Lisboa. Revista «FN-Filatelia-Numismática».
(2) Grando, António Coxito (1959). Dicionário Corográfico Comercial de Angola, Luanda.Edições Antonito, 4ª Edição.
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