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Angola- 10º Grupo (Dezembro 1913)

No 10º grupo de carimbos do livro "Marcas Postais de Angola" (1) do Coronel Guedes de Magalhães (G.M.), é utilizado o esqueleto A8 hexagonal pela primeira vez.
A data é constituída pelos três habituais elementos representados em algarismos árabes, separados por traços e termina com a indicação da hora, representada por um ou dois algarismos.
O autor da obra refere que "ao fim de uns tempos, os funcionários dos C.T.T.A. acabaram por não ligarem à importância da hora, passando os seus algarismos a indicar o ano, assim por exemplo a data 14-5-19=24 passou a representar o ano de 1924 e não o ano de 1919 às 24h como é evidente."
Foram catalogados os seguintes carimbos, impressos a preto:

1. BENGUELLA
2. CABINDA
3. LOANDA
4. LOANDA
5. LUBANGO
6. MALANGE
7. MOSSAMEDES




Aparecem dois carimbos para Loanda, estando a grande diferença entre os dois no grupo datador em que o ano passou a ser representado pelos 4 algarismos e na designação da localidade que deixou de ter o «L» e o «C» de «CENTRAL» maior(capitulado) do que as restantes letras. Esta segunda marca teve um grande período de utilização, até 1947 ( selos do Império Colonial).

LOANDA (LND-I e LND-II)
Para além das diferenças já mencionadas, existem outras diferenças entre as duas marcas, nomeadamente nas dimensões do retângulo do grupo datador, tamanho das letras e na medida do lado do hexágono, que, parece-me, que no caso da segunda marca é de dimensões inferiores.



Loanda 1- LND-I

Loanda 2-LND-II

Estas marcas como não fazem parte das "chamadas importantes" não têm tido o devido estudo pelos colecionadores, entre os quais me incluo. Quis o acaso que neste dia, de preparativos para a consoada do Natal de 2013 tivesse olhado com atenção para o sobrescrito da figura 13. Então, comecei a investigar as marcas deste grupo que já tenho na minha colecção de marcofilia e algumas peças de história postal.
Neste momento, acho que posso avançar que quase todas as localidades catalogadas têm uma segunda marca. Para facilitar o estudo vou chamar tipo I às marcas que têm na data a indicação horária (localidade em letras mais altas), e tipo II às que têm o ano representado pelos quatro algarismos.
Os carimbos do tipo I são mais raros do que os do tipo II.

LUBANGO (LBGI e LBGII)
Nas imagens seguintes (fig.2, 3 e 4) vê-se a marca do LBG I, LBG II e na carta a marca LBG II.  
G.M. tem a data de 18 Fev. 1914 para o início da utilização desta marca, na fig.2 verifica-se que a marca do Lubango foi utilizada a 16-12-1913. Acho que esta será a data, conhecida, mais antiga para a marca do Lubango.
As marcas do tipo II começaram a ser utilizadas por volta de 1921/22 e com um longo período de utilização.
Fig.2-Lubango tipo I

Fig.3-Lubango tipo II

Fig.4-Sobrescrito do Lubango (19-3-1945) para Washington (Presidente Franklin Roosevelt- Casa Branca)


MALANGE (MLGI e MLGII)

Na imagem seguinte temos a marca MLGI aplicada em 1914, este carimbo tem um esqueleto de linhas retas com o grupo datador a exibir a indicação horária.
Fig.5-Sobrescrito de Malange  (2-7-14) para o Funchal,com carimbo de chegada de 9-08-14, com o porte de 5 ctvs.

Fig.5a-Malange tipo I, ebay 2014



Fig. 6- Malange tipo II
Fig.7-Malange tipo II

MOSSAMEDES (MSDI)

Esta foi a única marca que não consegui encontrar, por enquanto, a marca do tipo II. Assim que a encontre, caso exista, colocarei a respectiva imagem online.
A data do carimbo mostrado na fig.-9  (8-10-13) é a mais antiga que conheço para este grupo de marcas. Mais uma vez verificámos que a data apontada por G. Magalhães (Fev. 1914) estava errada.


Fig. 8- Mossamedes 1
Postal enviado de Mossamedes (8-10-13) para Itália com carimbo de chegada de 10-11-13, com o porte de 2 ctvs (porte para postais ilustrados simples com destino ao estrangeiro de acordo com a tabela de 09.11.1907).



CABINDA (CBDI e CBDII)


Fig. 10- Cabinda II

Fig. 9-Cabinda I














BENGUELLA (BGLI, BGLII e BGLIII)
 
Fig. 11-Benguella 1





No caso de Benguella, para além das duas marcas já referidas existe, ainda, uma terceira marca (BGL-III) pouco comum, do mesmo género mas com arabescos ao estilo da marca hexagonal de Moçambique. Esta marca aparece com datas compreendidas entre março e julho de 1914, terá sido provavelmente a primeira marca de Benguella, tendo sido mais tarde substituída pela marca do tipo I. Das três marcas esta é a única em que o nome da localidade é BENGUELA, nas outras duas marcas é BENGUELLA.

Fig.12- Benguella III-tipo IV


LOANDA- LND-III
 

Na imagem do sobrescrito da figura 13  repare-se que a mesma foi obliterada com a marca de Loanda (30-3-20=8) com o grupo datador dentro de um rectângulo de cantos rectilíneos, mas a marca aparece catalogada com o rectângulo de cantos arredondados. Os poucos exemplares que encontrei com esta marca têm datas compreendidas entre 1919 e 1920.
Fig. Marca LND III

Parece-me que é o carimbo (LND-I) com o rectângulo e o grupo datador substituído. Os algarismos deste carimbo são diferentes e mais pequenos. 
No artigo "História Postal de Angola (16) * Angola - Sobrecargas locais de 1919 e 1920, por Elder Manuel Pinto Correia" existe na "Fig. 2 – Postal ilustrado circulado de Luanda (10.01.19) para os EUA, com o porte de 3 ctvs (porte para postais ilustrados simples com destino ao estrangeiros de acordo com a tabela de 01.10.1917)" a mesma marca e utilizada no ano de 1919.

Fig. 13-Sobrescrito circulado de Luanda (30-3-20) para a Alemanha, com três selos de 15 reis -4,5 ctvs D. Carlos, um selo 1/2 ctv de D. Manuel II e selo de Taxa de Guerra de África de 0$01, usado como selo de recurso do correio ordinário.

Fig. 14-detalhe do sobrescrito

Fig. 15- Loanda tipo III

No quadro seguinte está um pequeno resumo dos vários tipos e características associadas às marcas do 10º grupo:


  
CIDADE ALTA E ESTAÇÃO NOQUI -Tipo V

No chamado grupo de Miscelânia (1918-1939), G. M. agrupa nesta categoria todos os modelos de carimbo com apenas um representante, na alínea c) aparecem dois carimbos não identificados por ele, mas que agora sabemos tratarem-se dos carimbos da Cidade Alta (o normal e o de registos). Têm esqueleto A8, o grupo datador ocupa o centro de simetria e a denominação está na parte de baixo.

fig.16-Cidade Alta (tipo V)
Fig.17- Postal enviado da Cidade Alta (17-10-18)  para Lisboa (15-11-18) com carimbo circular da CENSURA, com o porte de 1 ctv (porte para postais ilustrados simples com destino a Portugal de acordo com a tabela de 31.03.1903).


Marca de registo
 A marca de registo apresenta mais uma variedade, tem uma vírgula a separar os números da data.




Do mesmo tipo e também não catalogado aparece a marca da Estação Noqui:

Fig.18- Postal de um lote à venda no 26º leilão do CFP, circulado de Noqui (15.01.19) para a Bélgica, com selo de 130 s/ 75 reis, CE128. Carimbo batido a preto da "ESTAÇÃO NOQUI". Pagou 13 ctvs e deveria ser apenas 3 ctvs de porte de acordo com a tabela de 1.10.1917.


SILVA PORTO (BIÉ)-Tipo VI 

Finalmente, na mesma miscelânia na alínea d), aparece mais um exemplar com esqueleto A8 com legenda super-abundante SILVA PORTO (BIÉ):

Silva Porto (BIÉ) -tipo VI


Fig. 19-fragmento com selos obliterados com a marca de Silva Porto

Conclusão:

O 10º grupo passa a ter, pelo menos, 13 marcas distintas, isto é às 7 marcas catalogadas juntámos 6 novas marcas não catalogadas. Este número poderá aumentar para 14 assim que seja encontrada a segunda marca de Mossamedes (MSDII).
O quadro seguinte mostra as marcas do 10º grupo catalogadas e não catalogadas, bem como as marcas do tipo V e VI.
Em termos de raridade temos a seguinte classificação(tipos I a IV):
-as marcas do tipo II são as mais comuns;
-de seguida  as do tipo I;
-considero que as mais raras são as dos tipos III e IV.
Para as marcas dos tipos V e VI, bastará dizer que a marca do tipo VI é bastante comum, enquanto a do tipo V é rara.

Fig.20-Quadro resumo das marcas hexagonais do 10º grupo



















_________________________
Bibliografia:

(1) Magalhães, Alexandre Guedes (1986). Marcas Postais de Angola, Lisboa. Revista «FN-Filatelia-Numismática».
(2) Grando, António Coxito (1959). Dicionário Corográfico Comercial de Angola, Luanda.Edições Antonito, 4ª Edição.  



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